Publicado em: 20 de julho de 2021 | Categoria: Luto e vida

Dia do Amigo: empatia aos pais enlutados

Quando há uma grande ruptura como a perda de um filho, por exemplo, não existem palavras que descrevam a dor de um pai e uma mãe, muito menos como eles vão reagir durante o processo do luto. Esse período é individual, mas não deve ser sentido só. Contar com o suporte de amigos que possam estar dividindo e, principalmente, apoiando o momento, traz mais leveza e compreensão sobre essa nova realidade da vida que passarão a seguir.

As fases do luto são únicas, então não se cobre e não se compare aos outros. Permita-se sentir o momento, pois não há maneira certa para agir ou expressar emoções.

Precisamos demonstrar respeito à dor do outro, independentemente da idade ou das circunstâncias que ocasionaram o falecimento. Há casos nos quais as perdas não são legitimadas pela sociedade. Fato este que interfere no processo de luto de mães e pais que muitas vezes não se sentem autorizados a expressar o seu luto pelo tempo que precisarem, mesmo que seja pela vida inteira.

E se por acaso você não conseguir colocar para fora, isso não significa que você não esteja sofrendo, você apenas tem uma maneira diferente de lidar com esse sentimento. Por isso, não se cobre, apenas deixe fluir tudo no seu tempo.

Particularidades do processo de luto vivido por mães e pais

No luto parental, há uma inversão do ciclo natural da vida. É como se a morte de um filho fosse contra os princípios da natureza e, por isso, pais e mães podem se sentir incompreendidos e ter dificuldade para expressar o que sentem.

É um luto naturalmente mais longo que os de outros. Nos primeiros momentos, há uma agudização da dor e conforme o tempo vai passando as dificuldades parecem aumentar. E essa é uma característica que faz toda diferença na necessidade de apoio das famílias que vivem este tipo de experiência.

Quando se vive um luto como esse, também são desfeitos sonhos e planos. A morte de um filho traz o impacto da necessidade de diversos ajustes na vida, como no funcionamento já estabelecido da família: o papel de pais e irmãos, a organização da casa e da rotina no dia a dia, as expectativas com o futuro.

Essa ruptura também é determinada por questões como: quem era este/a filho/a, como era a relação com ele/a em vida e como a morte aconteceu.

Como apoiar pais enlutados

Na maioria das vezes, a dificuldade em falar sobre quem morreu não é dos pais. Para eles, mesmo com o passar do tempo, é importante falar do/a filho/a que se foi. Isso não os faz lembrar do acontecido ou sofrer mais – eles nunca esquecem. Por vezes, se calam porque percebem que as pessoas não querem ou conseguem falar no assunto.

Lidar pessoas queridas falando abertamente sobre a emoção, a dor, o desamparo, as dúvidas, medos e indignação que este tipo de perda ocasiona, não é simples e nem fácil. Mas é muito importante, pois propicia a todos abrir espaço para sentir, expressar e acolher o mal estar como algo natural e inerente à perda e ao viver.

Não falar sobre algo que estamos sentindo pode ser uma forma de evitar essa emoção e se só evitamos e não abrimos espaço para senti-la, expressá-la e acolhê-la podemos dificultar o processo de luto. A fala ajuda ao enlutado expressar-se e assim reorganizar-se internamente. A fala promove a escuta, gera acolhimento e pode minimizar o sentimento de solidão gerado pela perda.

Conheça o nosso Programa de Apoio aos Enlutados

O Programa de Apoio aos Enlutados (PAE) é um projeto do Grupo Cortel que visa auxiliar e acolher processos de luto. O objetivo é compartilhar vivências com outras pessoas que estejam em uma situação semelhante.

Os encontros possibilitam ao enlutado encontrar um espaço de acolhimento, no qual eles podem falar ou até mesmo apenas ouvir, cada um é livre para decidir como quer participar. O grupo lhes possibilita ser quem podem ou conseguem ser diante do seu processo de perda.

Ao ouvir os relatos de outras pessoas na mesma condição, pais e mães enlutados podem sentir-se autorizados a experimentar falar, vivenciar novas estratégias de enfrentamento da dor, da saudade e até mesmo para ressignificar a relação com filho amado perdido.

Neste espaço, os enlutados também recebem informações sobre o que é o luto e o que pode ser esperado dentro deste processo, normalizando assim as suas manifestações e reações. Receber estas informações pode trazer momentos de consolo em meio a experiência mais devastadora que é perder um filho.

O grupo pode oferecer ajuda para entender as fases e como algo de uma dor única, incomparável, e ao mesmo tempo natural e singular. Nosso intuito é proporcionar humanidade.

Se você está vivendo essa fase e está precisando dividir sua experiência, participe dos nossos encontros virtuais e gratuitos orientados por profissionais de Psicologia.

Veja as datas dos próximos encontros e como participar em: https://materiais.cortel.com.br/pae

Ana Maria Dall’Agnese – Psicóloga CRP 07/12.528

Denise Cápua Corrêa – Psicóloga CRP 07/6.338

Mariana Zanatta – Psicóloga CRP 07/26.370