Arquivo de outubro, 2011

El Dia de los Muertos – Do México para o resto do mundo

31 de outubro de 2011 às 10:00

No México, o 2 de Novembro marca uma das festas folclóricas mais importantes do país, o Dia de los Muertos, celebração de origem pré-colombiana que foi considerada, pela Unesco, Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Diferente das celebrações do Dia de Finados brasileiro, onde prevalecem as manifestações de saudade e religiosidade, no México a data é comemorada com grandes festejos; comida, bebida, música, danças e representações engraçadas e caricatas da morte (caracterizada pela personagem La Catrina). Em menor escala, algumas comunidades de imigrantes mexicanos celebram a data em outros países.

Las Catrinas (imagem: Wikipédia)

Há 12 anos, o cemitério Hollywood Forever, em Los Angeles, levou a festa para além da fronteira. Com atores e dançarinos fantasiados, mariachis (músicos tradicionais mexicanos), e outras ações relacionadas, o cemitério reproduz a festa com riqueza de detalhes. Este ano, a festa foi realizada no dia 22 de outubro. No vídeo abaixo, imagens da festa do ano passado.


Fonte: ladayofthedeath.com e Wikipédia

Programação para o Dia de Finados

28 de outubro de 2011 às 09:00

Confira abaixo a programação para a próxima quarta-feira, feriado do Dia de Finados, nos empreendimentos do Grupo Cortel.

A Alemanha mudando seus rituais

26 de outubro de 2011 às 10:00

Nos últimos anos, vem crescendo na Alemanha a demanda por um novo tipo de serviço funerário. Saem músicas sacras e clássicas, entram canções de pop e rock; saem os sermões dos pastores, entram depoimentos voluntários e improvisados de pessoas próximas; saem as grandes cerimônias e entram ritos mais simples, com maior envolvimento de familiares e amigos.

Instituto Pütz-Roth, Alemanha

“O mais importante é que aqui não são os mortos a ocupar o primeiro plano, mas sim aqueles que têm que seguir vivendo com a perda de um ente querido. Inspiro-me no pensamento da poetisa judia alemã Mascha Kaléko, que expressou isso de forma maravilhosa: ‘Só se morre a própria morte. A dos demais, tem-se que viver’”, diz o responsável pelo Instituto Pütz-Roth, uma das empresas voltadas a essas novas práticas funerárias.

Entre as práticas mais comuns estão as sepulturas e urnas personalizadas, balões de gás soltos ao final das cerimônias, e o espargir das cinzas em bosques, sobre as raízes de árvores.

Jardim funerário em Bergish-Gladbach

Fonte: DW-World

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Funerais excêntricos

24 de outubro de 2011 às 10:00

Recentemente, o funeral de Arch West, criador dos salgadinhos Doritos, foi notícia por amigos e familiares terem colocados em sua urna funerária, junto às cinzas, migalhas do petisco, em sua homenagem. Outras despedidas também ficaram famosas pela excentricidade de seus rituais, na maioria das vezes realizados para satisfazer aos desejos que a pessoa manifestou em vida, ou homenageá-la com algum aspecto de sua carreira ou personalidade.

Frederic Baur, por exemplo, designer da embalagem das batatas-fritas Pringles, teve seus restos mortais guardados em uma das latas cilíndricas que ele criou. Os filhos de Baur utilizaram a “urna” personalizada a pedido do pai.

A atriz Elizabeth Taylor pediu que o serviço fúnebre fosse “elegantemente atrasado”. Suas instruções solicitavam que a cerimônia de funeral começasse ao menos 15 minutos depois do agendado. “Ela queria se atrasar para seu próprio funeral”, disse o agente da atriz, em um comunicado.

Elizabeth Taylor pediu que seu funeral fosse “elegantemente atrasado”

Já Malcolm McLaren, ex-empresário da banda de punk rock Sex Pistols, desejava que em seu funeral fosse realizado um “minuto de desordem”, em vez do tradicional minuto de silêncio. O funeral aconteceu em 2010, e em seu caixão foram grafitados os dizeres “rápido demais para viver, jovem demais para morrer”. O caixão foi transportado em uma carruagem, ao som dos Pistols.

As cinzas de Gene Roddenberry, criador da cultuada serie de ficção científica Star Trek, foram levadas ao espaço em 1997. Juntamente com os restos mortais de Roddenberry, foram lançados à órbita da Terra os de outras 23 pessoas. As cinzas orbitaram até 2002, e então reentraram na atmosfera.

O jornalista Hunter S. Thompson, recebeu como homenagem do ator Johnny Depp um curioso funeral; suas cinzas disparadas por um canhão.

Eugene Shoemaker, um dos descobridores do cometa Shoemaker-Levy, e também considerado o pai da ciência planetária teve um dos sepultamentos mais diferentes que se conhece; em 1999, foi deixada uma cápsula com seus restos mortais na superfície da Lua, o primeiro enterro lunar da História.

Frank Sinatra: moedas no caixão seriam usadas em “ligações de emergência”

No funeral do cantor Frank Sinatra, que seguiu as tradições de funerais católicos, pequenos detalhes chamaram a atenção dos presentes. Dentro do caixão, foram colocadas uma garrafa de conhaque e moedas, supostamente para serem usadas em “telefonemas de emergência”.

O geólogo Brian Tandy teve suas cinzas transformadas em diamantes sintéticos, em 2004. As pedras foram utilizadas em joias, por seus familiares.

Fonte: Folha

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Aproveitar a vida e suas dores

21 de outubro de 2011 às 09:00

Contardo Calligaris*

O texto reproduzido abaixo foi publicado na Folha em 29 de setembro deste ano. Nele, Contardo Calligaris “resenha” o livro de Roland Barthes, seu amigo pessoal, e disserta sobre o luto, a saudade e a ausência.

Com frequência, em conversas e entrevistas, alguém me pergunta o que penso da felicidade – obviamente, na esperança de que eu espinafre esse “ideal dominante” de nossos tempos.

Na verdade, não sei se a felicidade é mesmo um ideal dominante.

Claro, o casal e a família felizes são estereótipos triviais: “Com esta margarina ou com este carro sua vida se abrirá num sorriso de ‘folder’ ou de comercial”. Mas ninguém leva isso a sério, nem os que declaram que tudo o que querem é ser felizes.

Se alguém levasse a busca da felicidade a sério, ele se drogaria, e não com remédios ou substâncias de efeito incerto e insuficiente: só crack ou heroína -tiros certeiros.

O que resta é a felicidade como tentação, como uma vontade de cair fora, compreensível quando a vida nos castiga muito. Fora isso, minha aspiração dominante não é a de ser feliz: quero viver o que der e vier, comédias, tangos e também tragédias -quanto mais plenamente possível, sem covardia.

Meu ideal de vida é a variedade e a intensidade das experiências, sejam elas alegres ou penosas.

Há indivíduos que pedem para ser medicados preventivamente, de maneira a evitar a dor de um luto iminente. É o contrário do que eu valorizo; penso como Roland Barthes: “Luto. Impossibilidade -indignidade- de confiar a uma droga -sob pretexto de depressão- o sofrimento, como se ele fosse uma doença, uma ‘possessão’ -uma alienação (algo que nos torna estrangeiros)- enquanto ele é um bem essencial, íntimo…”.

O trecho está na pág. 159 de “Diário de Luto”, que acaba de ser publicado em português (WMF Martins Fontes, excelente tradução de Leyla Perrone-Moisés).

São as fichas nas quais Barthes registrou sua dor entre outubro de 1977 (a morte da mãe) e setembro de 1979 (poucos meses antes de ele mesmo sofrer um atropelamento cujas consequências seriam fatais).

Logo nestes dias, um amigo meu, Paulo V., está perdendo seu pai. Ele me escreve, consternado, que “nada sobrará” do pai: uma cadeira vazia, gavetas de roupas e papéis e que mais? A lembrança se perderá com a vida do filho, que não lhe deu netos e de quem também nada sobrará. A resposta que encontro, para meu amigo, é uma questão: por que uma vida não se bastaria, mesmo que não sobre nada e, a médio prazo, ninguém se lembre?

Barthes se pergunta se ele estaria escrevendo “para combater a dilaceração do esquecimento na medida que ele se anuncia como absoluto. O -em breve- ‘nenhum rastro’, em parte alguma, em ninguém” (pág. 110). Mas suas anotações não são um monumento fúnebre para a mãe.

Para Barthes, escrever é o jeito de abraçar a experiência, de vivê-la plenamente. Ele se revolta contra as distrações e as explicações consolatórias dos amigos; recusa as teorias que lhe prometeriam um bom decurso de seu luto (“Não dizer luto. É psicanalítico demais. Não estou de luto. Estou triste”) e foge, embora a contragosto, das crenças que apaziguariam a dor (“que barbárie não acreditar nas almas -na imortalidade das almas! Que verdade imbecil é o materialismo!”).

Enfim, Barthes chega quase a recear que o luto acabe, como se, além da mãe adorada, ele temesse perder também, aos poucos, sua experiência dessa perda.

Meses depois da morte dos meus pais, havia momentos em que eu lamentava que meus afetos e pensamentos voltassem “ao normal”, como se minha vida fosse mais pobre sem aquela dor. E havia outros em que, de repente, um detalhe me fisgava, até às lágrimas. Esses momentos eu acolhia com alegria.

Como Barthes anota, a dor do luto pode deixar de ser o afeto dominante, mas ela sempre volta, com a mesma força: “O luto não se desgasta porque não é contínuo” (pág. 92).

Falando em “detalhes” que fisgam, as anotações de Barthes reabriram a ferida de quando ele morreu, mais de 30 anos atrás.

De que sinto mais falta? Do timbre de sua voz e de duas coisas que, de uma certa forma, faziam parte do timbre de sua voz.

Sinto falta de seu gosto pela inconsistência das ideias e dos saberes (“proporcionalmente à consistência desse sistema, sinto-me excluído dele”, pág. 73).

E sinto falta de sua coragem para falar a partir da singularidade de sua experiência, sem a menor pretensão de erigi-la numa generalidade que valha para os outros.

Em suma, sinto falta dele, mas não é só que eu sinto falta dele, é que ele, ainda hoje, faz falta.

* Italiano, é psicanalista, doutor em psicologia clínica e ensaísta. Ensinou estudos culturais na New School de Nova York e antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley. Reflete sobre a cultura e a modernidade.

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Afterlife, maquiagem para os mortos

19 de outubro de 2011 às 09:00

A fabricante inglesa de produtos de maquiagem Illamasqua, em parceria com uma funerária de Londres, lançou este ano uma linha de maquiagem para uso exclusivamente funerário, e vem levantando opiniões diferentes a respeito.

A Afterlife, como foi batizada, tem como slogan “O ato final de auto-expressão” e, além dos produtos, oferece também, apenas nos EUA e na Inglaterra, o serviço de maquiagem funerária.

Enquanto que, para alguns, a idéia possa parecer “bobagem”, para as apaixonadas por maquiagem, a novidade fez sucesso.

Fonte: Woman Health Portal

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Cinzas se transformam em recifes

17 de outubro de 2011 às 09:00

Você viu recentemente aqui no blog a urna funerária que, quando submersa, transformava-se em um recife artificial, e espalhava as cinzas na água do oceano. Uma idéia parecida transforma as próprias cinzas em um recife, ao misturá-las com concreto ecologicamente-correto.

Além de recifes, os Eternal Reefs (Recifes Eternos) também servem como memorial; uma placa de bronze traz a gravação do nome e homenagens, e os familiares e amigos são convidados a deixar a marca de suas mãos no concreto ainda úmido.

A empresa responsável pelos recifes se responsabiliza também pela manutenção dos recifes, lançados em local próprio, que também podem ser visitados, de barco ou por mergulhadores.

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Categoria: Cortel

O ritual romeno, uma tradição milenar

14 de outubro de 2011 às 10:00

Recentemente, em um encontro com o primeiro-ministro da Romênia, o príncipe Charles da Grã-Bretanha afirmou admirar os rituais do funeral romeno. E não é por menos; o ritual tradicional de sepultamento praticado na Romênia é o mais próximo, atualmente, do antigo ritual praticado no Império Romano.

Pelas tradições romenas, o ritual é iniciado antes mesmo da morte; em seus últimos momentos de vida, a pessoa deve ser assistida por um familiar ou amigo que mantenha em sua mão uma vela acesa. Após o falecimento, o corpo é cuidadosamente banhado, embalsamado e maquiado, e vestido com suas melhores roupas – no caso de moças solteiras, elas são vestidas de noivas – e seus tornozelos são atados um ao outro. O velório é realizado em casa, e costuma durar três dias. Na segunda noite após o falecimento, um padre realiza o primeiro cerimonial, com a leitura dos “Pilares” (Stâlpii, trechos do Novo Testamento), a fim de que o espírito compreenda que não pertence mais a este mundo, e comece a se desapegar do plano material.

Cemitério romeno

No terceiro dia, ocorre o sepultamento ou a cremação. A faixa que atava os tornozelos é, então, removida e queimada. Sobre a boca, é colocada uma moeda, para o espírito poder pagar o pedágio no outro mundo, e o caixão não poderá ser carregado por membros da família, apenas por amigos, vizinhos ou desconhecidos.

Os romenos acreditam que o espírito permanece neste mundo ainda por quarenta dias após a morte, durante os quais poderá ser visto em sonhos e fazer pedidos e recomendações a seus familiares. No quadragésimo dia, é realizada uma festa chama Pomana, com comida, bebida e celebração da vida e da memória da pessoa que partiu. Na Pomana, o luto se encerra, pois a alma é liberta deste mundo, e recordam-se com alegria as realizações e características da pessoa. A Pomana também é realizada a cada ano, até o sétimo, após o falecimento.

Celebração da Pomana

Fonte: Misodor

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Que destino dar às cinzas da cremação?

12 de outubro de 2011 às 10:00

O crescimento da escolha pela cremação tem sido significativo no Brasil nos últimos anos, como você já viu aqui no blog. Com essa mudança do comportamento, também surgem dúvidas quanto ao que fazer com as cinzas da cremação.

Algumas pessoas preferem manter as cinzas em urnas funerárias em suas casas, muitas vezes cercadas por fotografias e objetos que lembram a pessoa falecida. Outras, por motivos religiosos ou de caráter mais emocional, preferem manter a urna em espaços específicos, conhecidos como columbários, ou mesmo espargir as cinzas em locais como jardins ou no mar.

Columbário, Crematório Metropolitano

O Crematório Metropolitano oferece nos empreendimentos as opções de columbário, para urnas, e os bosques e jardins In Memoriam, para o espargimento das cinzas. Seja qual for a sua escolha, conte conosco.

Fonte: FOL

Amor, perda, luto e histórias que construímos ao longo de nossas vidas: nada pode nos separar disso

10 de outubro de 2011 às 10:00

Adriana M. Farias Binotto*

Segundo especialistas, o luto pela perda de uma pessoa amada é a experiência mais universal e ao mesmo tempo mais assustadora que vive o ser humano. Diante da perda de um ente querido podemos nos desorganizar, nos paralizar. Sentimos-nos desprotegidos, nosso mundo inteiro pode parecer ter mudado de repente… E na verdade mudou! À nossa frente, a vida parece vazia de significado e repleta de dor, tristeza, solidão… É comum questionarmos nosso relacionamento, nossas atitudes para com a pessoa falecida. Brigamos com Deus, brigamos com quem está querendo nos ajudar, nos irritamos ou ainda simplesmente silenciamos… Estamos diante do luto!

Viver o luto é deixar a dor ser dor. É um processo normal, importante para a saúde mental, que traz a possibilidade de nos reconstruirmos, de reorganizarmos nossos recursos emocionais e nos adaptarmos às mudanças trazidas pela perda. É um processo que demanda tempo, um tempo que é único para cada pessoa. Se compararmos a perda a um ferimento, o luto seria o processo de cicatrização. Assim como é necessário que a pessoa ferida receba cuidados, o enlutado requer acolhimento, atenção, escuta e validação de seus sentimentos.

O impacto da perda é sentido também nas relações familiares. Cada membro está diante de sua própria crise. O funcionamento do grupo e o papel que cada um desempenha altera-se significativamente. A comunicação nem sempre flui. Ao enfrentar o luto em família, é muito importante que esteja claro que cada pessoa vai sentir e reagir a seu modo. A intensidade das manifestações de sentimentos ou a presença de choro não são indicadores de quem está sofrendo mais ou menos, ou de quem gostava mais ou menos de quem faleceu. Há, por exemplo, a questão do gênero, com as mulheres tendendo a expressar mais seus sentimentos, e os homens a serem mais reservados. Para além dessa questão cultural, no entanto, cada pessoa tem seu jeito peculiar de reagir e de expressar seus sentimentos. E mais que as manifestações de sentimentos, as reações das pessoas, no conjunto do grupo, trazem as transformações, e a cada membro da família, novas responsabilidades e novas perspectivas também. No âmbito da família, em meio à diversidade de manifestações e reações, o reconhecimento e o respeito por parte de cada membro são de fundamental importância, para que não se perca em disputas e desconfianças esse que é um dos seus grandes recursos: a capacidade de compartilhar a dor.

O enlutado requer acolhimento e validação de seus sentimentos

Muitas vezes a ajuda, o carinho e o apoio que vêm da família e dos amigos, a crença religiosa e o convívio social por ela proporcionado são tudo de que as pessoas precisam para poderem se reconciliar com a vida. Cada caminho, no entanto, é próprio, é único. Por isso, para quem quer ajudar um enlutado, talvez o melhor seja perguntar a ele como quer ser ajudado. Dessa forma, ele se sentirá respeitado em sua autonomia, e também ficará claro que nosso desejo é apenas ajudá-lo. Digo isso porque o estado apresentado pelo enlutado muitas vezes provoca angústia, sensação de impotência e ansiedade nas pessoas a sua volta. Assim, muitas pessoas bem-intencionadas (mas desinformadas) abordam o enlutado manifestando que afinal o pior de sua dor já passou, que já é hora de “tocar uma estrada começa a se tornar visível com os primeiros e oblíquos raios de sol que penetram o nevoeiro. Por vezes, o enlutado estará voltado a sentimentos de tristeza, à busca de elementos de seu passado com a pessoa falecida; em outros momentos, estará tentando reconstruir, dar um novo sentido a sua vida, voltando a investir em novos vínculos. Uma das grandes preocupações do enlutado ao sair de seu processo de luto é a de esquecer seu ente querido, com medo de que sua memória e presença percam-se em meio aos novos acontecimentos e distrações da vida que segue. Acontece, porém, que em suas idas e vindas entre a dor e a esperança, ao longo de seu processo de luto, o enlutado descobre que a pessoa falecida na verdade está, e estará sempre, em sua memória, como parte de suas experiências que orientam cada movimento e decisão de sua vida a partir dali. Afinal de contas, a história que vivemos e construímos com quem amamos nada nem ninguém pode tirar de nós.

* Psicóloga Especialista em Intervenção, Teoria e Pesquisa em Luto

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Categoria: Cortel

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