Arquivo de maio, 2011

Elogio da sombra de Jorge Luis Borges

31 de maio de 2011 às 20:06

A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)

pode ser o tempo de nossa felicidade.

O animal morreu ou quase morreu.

Restam o homem e sua alma.

Vivo entre formas luminosas e vagas

que não são ainda a escuridão.

Buenos Aires,

que antes se espalhava em subúrbios

em direção à planície incessante,

voltou a ser La Recoleta, o Retiro,

as imprecisas ruas do Once

e as precárias casas velhas

que ainda chamamos o Sul.

Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;

Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;

o tempo foi meu Demócrito.

Esta penumbra é lenta e não dói;

flui por um manso declive

e se parece à eternidade.

Meus amigos não têm rosto,

as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,

as esquinas podem ser outras,

não há letras nas páginas dos livros.

Tudo isso deveria atemorizar-me,

mas é um deleite, um retorno.

Das gerações dos textos que há na terra

só terei lido uns poucos,

os que continuo lendo na memória,

lendo e transformando.

Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte

convergem os caminhos que me trouxeram

a meu secreto centro.

Esses caminhos foram ecos e passos,

mulheres, homens, agonias, ressurreições,

dias e noites,

entressonhos e sonhos,

cada ínfimo instante do ontem

e dos ontens do mundo,

a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,

os atos dos mortos,

o compartilhado amor, as palavras,

Emerson e a neve e tantas coisas.

Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,

a minha álgebra e minha chave,

a meu espelho.

Breve saberei quem sou.


Jorge Luis Borges nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina e faleceu em Genebra, no ano de 1986. É considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e é um dos mais importantes escritores da literatura mundial. O poema acima foi extraído do livro “Elogio da Sombra”, Editora Globo – Porto Alegre, 2001, pág. 81 (tradução: Carlos Nejar e Alfredo Jacques; revisão da tradução: Maria Carolina de Araújo e Jorge Schwartz).

Casamento é realizado em cemitério na China

27 de maio de 2011 às 17:29

Dois casais chamaram a atenção na China ao resolverem realizar a cerimônia de casamento em meio aos túmulos de um cemitério da cidade de Tianjin. Os noivos quiseram fazer uma brincadeira com a tradicional frase “até que a morte os separe”, conta o site Orange News.

O local foi especialmente decorado para o casamento, que oficializou a união do noivo Wu Di com Yang Xi e de seus amigos Wei Jian e Liu Ling. Cada casal plantou uma muda de plantas no cemitério como uma forma simbólica de perpetuar o amor até a morte.

Fonte: Orange News

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Falando sobre as mudanças da vida

26 de maio de 2011 às 19:29

Neste sábado, 28/05, acontece mais uma edição do PAE ( Projeto de Apoio aos Enlutados) no Crematório Metropolitano São José.

As palestrantes desta edição são as psicólogas da AB – Clínica de Psicologia e Apoio ao Luto. O tema  será “Falando Sobre as Mudanças da Vida”. A palestra acontece logo após a missa das 15h30min, no empreendimento. Entrada franca.

Falando Sobre as Mudanças da Vida

Quando? 28/05/2011

Onde? Av. Professor Oscar Pereira, 584 – Porto Alegre

Hora? 15h30m

Arqueólogos descobrem práticas funerárias da era do gelo

25 de maio de 2011 às 18:00

Arqueólogos descobriram em uma região do Alasca, os restos mortais de uma criança cremada há cerca de 11,5 mil anos. Eles são os resquícios humanos mais antigos já encontrados nas regiões ártica e subártica da América do Norte. Os fragmentos foram encontrados num buraco de fogueira de uma antiga habitação, e trazem novas informações sobre as práticas funerárias dos povos da era do gelo. “Podemos supor que eles tenham abandonado a casa enquanto a criança era cremada”, disse Bem A. Potter, arqueólogo da Universidade do Alasca e principal autor do estudo.

Potter e seus colegas esperam coletar amostras de DNA nos restos mortais da criança - e investigar ligações genéticas com outras comunidades, antigas ou atuais. Foto:Ben Potter/Arquivo pessoal

Conheça outaras pesquisas realizadas pelo antropólogo no site https://sites.google.com/a/alaska.edu/dr-ben-a-potter/

Fonte: Yahoo Notícias e New York Times

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Documentário sobre a morte de Lady Di estreia em Cannes

23 de maio de 2011 às 22:08

‘Unlawful Killing’, polêmico documentário sobre a morte da Princesa Diana estreou  no último dia 16 no Festival de Cannes. O filme promove a teoria de que a princesa do povo e o seu namorado, Dodi al Fayed, foram mortos em Paris, em 1997, não por causa de um infeliz acidente de carro mas através de uma conspiração dos serviços secretos britânicos, a família real e o então primeiro-ministro, Tony Blair.

Unlawful Killing conta com entrevistas a Tony Curtis, Mohamed Al Fayed, Piers Morgan, Howard Stern ou Michael Mansfield.

“Estrear este filme em Cannes para os meios de comunicação de todo o mundo será, simultaneamente, excitante e aterrorizador para mim. Já em 2004, estava intrigado com o fato de Mohammed Al Fayed ter levantado muitas questões e dúvidas sobre a morte do seu filho e da Princesa Diana”, revelou Keith Allen, que participou como ator no filme Trainspotting.

Fonte: Cinema Uol

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Lembranças de quem deixou saudade

20 de maio de 2011 às 17:11

No último Dia das Mães os empreendimentos do Grupo Cortel prestaram uma homenagem às mães que deixaram saudade criando a promoção “As Boas Lembranças Vão Homenagear Quem Deixou Saudade” . Os participantes deveriam contar um momento inesquecível vivido com sua mãe. As frases selecionadas foram publicadas em jornais e no site do Grupo Cortel no dia 18 de maio. Confira as frases vencedoras:

Seriado da HBO aborda a perda

20 de maio de 2011 às 15:05

Six Feet Under (no Brasil A Sete Palmos) é uma série de televisão produzida pelo canal HBO. O seu primeiro episódio foi transmitido nos Estados Unidos em 2001 e, após cinco temporadas, terminou em 2005.

Toda a trama se desenvolve em torno do mundo da Fisher & Sons Funeral Home, uma empresa funerária fictícia de Los Angeles, Califórnia.

A série mostra um drama convencional de família, lidando com assuntos como infidelidade, homossexualidade e religião. Ao mesmo tempo, aborda com outro prisma o tópico da morte, explorando seus múltiplos níveis (pessoal religioso e filosófico).

Cada episódio inicia com uma morte. Este falecimento geralmente dá o tom de cada episódio, permitindo aos personagens refletir sobre suas vidas e infortúnios, de forma iluminados pela morte e suas conseqüências.

A caixa com a série completa está à venda pela internet aqui.

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Vidas em luto

18 de maio de 2011 às 15:43

por ROGER LERINA*

“Reencontrando a Felicidade” (2010) gira em torno de um tema que costuma descambar para o melodrama: a morte de uma criança. O longa dirigido pelo americano John Cameron Mitchell, no entanto, mantém um registro dramático contido, que areja o argumento pesado com reflexão ponderada, compaixão e mesmo humor.

A história começa mostrando o cotidiano marcado pela tragédia de Howie e Becca – vividos por Aaron Eckhart e Nicole Kidman: o filho de quatro anos do casal morreu atropelado na frente de casa. Oito meses depois do acidente, marido e mulher enfrentam de formas diferentes a dor: Howie quer tocar a vida em frente, porém não se desfaz das lembranças do filho; já Becca aparenta ter assimilado a morte e evita falar do filho – mas sua imagem de fortaleza esconde a incapacidade de retomar uma existência normal. Enquanto Howie continua frequentando um grupo de discussão formado por pessoas que viveram o mesmo tipo de drama, onde encontra um ombro amigo em Gaby (Sandra Oh), Becca desiste dessas reuniões. Em compensação, ela aborda na rua Jason (Miles Teller), o adolescente responsável pelo acidente de carro que matou seu filho, e passa a encontrar- se regularmente com o rapaz em uma praça.

O personagem de Nicole Kidman é o centro ao redor do qual orbitam as outras figuras de “Reencontrando a Felicidade” – todos observando com certa expectativa a maneira como Becca lida com seu luto. Na masmorra emocional que construiu para si, a protagonista não permite o carinho ou o diálogo do marido, os conselhos da mãe (Diane Wiest) ou a aproximação da irmã irresponsável (Tammy Blanchard), que anuncia estar grávida do namorado. A impassibilidade de Becca, entretanto, está a um passo de ruir, e o enfrentamento dos impasses de seu casamento e de seus fantasmas pessoais é iminente.

“Reencontrando a Felicidade” é baseado em uma peça de teatro escrita por David Lindsay-Abaire, que também adaptou o texto para o cinema. Realizador dos filmes de temática homossexual “Hedwig – Rock, Amor e Traição” (2001) e “Shortbus” (2006), o diretor e ator John Cameron Mitchell mostra novamente em seu mais recente trabalho a sensibilidade na abordagem dos sentimentos conflitantes dos personagens e o talento na direção de atores. O elenco homogêneo realça as participações dos ótimos coadjuvantes, como Dianne Wiest e Sandra Oh. Já a credibilidade do drama deve muito às notáveis atuações de Aaron Eckhart e, em especial, de Nicole Kidman – merecidamente indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar. Depois de alguns tropeços recentes na carreira como “Austrália” (2008) e “Nine” (2009), a ex-mulher de Tom Cruise reencontra nesse filme o brilho das atuações e da beleza do tempo de títulos como “De Olhos Bem Fechados” (1999) e “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” (2001).

*Roger Lerina é jornalista e  critico de cinema. É colunista da Contracapa do Segundo Caderno do Jornal Zero Hora. Critica publicada originalmente no jornal Zero Hora

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Obras encontram cemitério no centro de Londres

17 de maio de 2011 às 17:58

As obras de preparação para a construção do túnel Crossrail – que vai interligar trens intermunicipais e nacionais em Londres – revelaram um sítio arqueológico com centenas de esqueletos em Liverpool Street, no Centro de Londres.

No local, ficava o cemitério do hospital de St. Bethlehem, inaugurado em 1247, e conhecido como o primeiro hospício do mundo.

O mapa do antigo hospital indica que milhares de esqueletos podem ter sido enterrados lá. Muitos serão levados para o Museu de Londres, mas todos terão de ser exumados antes da construção do túnel Crossrail. Este é o maior levantamento geológico já realizado em Londres.

Segundo o site da BBC, o arqueólogo do Crossrail, Jay Carver, diz que a expectativa é de que se façam descobertas sobre as causas das mortes das pessoas enterradas no local e por isso, o trabalho de análise e registro é muito importante.

Abadia de Westminster: mil anos de bodas e funerais reais

16 de maio de 2011 às 14:49

A abadia de Westminster, onde no dia 29 de abril foi realizado o casamento do príncipe William e Kate Middleton, é há quase mil anos palco de bodas, coroações e enterros de reis ingleses. Desde a primeira coroação na abadia, a do rei William I no dia de Natal de 1066, até o funeral de Diana de Gales, esta igreja gótica do tamanho de uma catedral viveu uma infinidades de ocasiões históricas.

A abadia é um dos cemitérios com maior concentração de gênios e personagens do mundo, onde repousam os restos mortais de 17 reis, incluindo Henry V, Henry VII, Elizabeth I e George II. Situada próxima ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico, por lá descansam os restos de famosos personagens da cultura como o romancista Charles Dickens, os poetas Edmund Spenser e Alfred Tennyson, assim como os atores David Garrick, Henry Irving e Laurence Olivier, os compositores Henry Purcell e George Frideric Handel, além do cientista Isaac Newton.

Sob a abóbada gótica mais alta da Inglaterra (31,1 metros) ocorreram durante o século XX numerosas uniões reais, começando pela dos pais da rainha Elizabeth, o príncipe Albert – coroado mais tarde como George VI – e Elizabeth Bowes Lyon, a “rainha mãe”, que se casaram em abril de 1923.

O funeral da Rainha mãe também foi celebrado na abadia, recuperando uma tradição que naquele momento levava dois séculos e meio interrompida.

Após a Segunda Guerra Mundial, a então princesa Elizabeth se casou com Philip Mountbatten, em novembro de 1947. Sua irmã, a princesa Margaret, foi a seguinte a passar pelo altar da abadia para casar-se com Antony Armstrong-Jones em maio de 1960, em um casamento que se dissolveria anos mais tarde.

O grande altar no qual se realizam as coroações e as bodas foi decorado em estilo de mosaico ornamental por operários trazidos expressamente de Roma, foi tirado da abadia durante os bombardeios nazistas de Londres na Segunda Guerra Mundial, uma época na qual por segurança a cadeira da coroação foi transferida à catedral de Gloucester e na qual a pedra de coroação – utilizada originalmente pelos monarcas escoceses – se enterrou em segredo na própria abadia.

Um dos sinos da igreja gótica, no conjunto situado na torre noroeste do templo, serve para anunciar a morte de um membro da família real ou do deão de Westminster.

Fonte: Uol e G1

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